
Este é mais um volume da magnífica série "The London Sessions", lançada no início da década de 1970 e que partia de uma premissa muito interessante: reunir em um mesmo estúdio os mestres e pioneiros do blues norte-americano aos seus jovens discípulos britânicos. O álbum dedicado a Muddy Waters, como é de praxe em todos os discos da coleção, conta com uma banda de apoio espetacular, com a participação de músicos como Rory Gallagher, Rick Grech, Steve WInwood e Mitch Mitchell. O resultado? Você já deve imaginar, mas mesmo assim eu conto: um disco excelente!
O repertório da bolacha conta com maravilhas como "Blind Man Blues", a mais do que clássica "Key to the Highway", "Young Fashioned Ways", "Walkin´ Blues" e os boogies apimentados por vigorosos metais de "I´m Ready" e "I Don´t Know Why". Como ocorre no álbum dedicado a Howlin´ Wolf, a banda fica em segundo plano, segurando as pontas para que Muddy Waters voe alto, prendendo o ouvinte a cada faixa.
Ótimo play, com um line-up só de feras. Recomendadíssimo.
Faixas:
1. Blind Man Blues
2. Key To The Highway
3. Young Fashioned Ways
4. I'm Gonna Move To The Outskirts Of Town
5. Who's Gonna Be Your Sweet Man When I'm Gone
6. Walkin' Blues
7. I'm Ready
8. Sad Sad Day
9. I Don't Know Why
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Calcado nesta realidade e na extrema vontade em permanecer em seu ‘habitat’ natural, que eram os palcos, o nosso ‘guitar-hero’ e sua gravadora resolveram repetir a dose e lançar mais um trabalho ao vivo em curto espaço de tempo, devido às impecáveis apresentações em sua terra natal, a Irlanda.Gravado nas cidades de Belfast, Dublin e Cork com a Lane Móbile Unit e tendo como apoio Gerry McAvoy no baixo, Lou Martin nos teclados e Rod de‘Ath na bateria, “Irish Tour” foi lançado em 1974 e rapidamente resultou em outro êxito, obtendo vendas superiores a dois milhões de cópias e servindo para Rory receber uma série de elogios por suas performances, sendo considerado pela conceituada revista Melody Maker, como melhor guitarrista daquele ano, culminando inclusive, com convites tentadores para fazer parte do Free de Paul Rogers,Ritchie Blackmore quando este saiu do Purple e até, pasmem, substituir Mick Taylor nos Rolling Stones.
Fiel e purista em suas convicções, inclusive de não permitir-se participar de gravações de vídeos-clips e nada afeito ao ‘glamour’, seguiu carreira solo até falecer em 1995 vitimado por um transplante de fígado mal sucedido em meio a mais uma turnê, dentre as várias de sua brilhante carreira. Influenciou com sua arte e simpatia vários monstros sagrados do rock’n roll tais como Brian May, Jimmy Page, Gary Moore, Slash, Bono & The Edge, etc.Foram mais de 30 milhões de discos vendidos em todo mundo ao longo de sua trajetória,e isso em se tratando de um artista,que pelo menos que me conste,nunca fez qualquer concessão ao comercialismo. Para ter-se a idéia de sua relevância, em virtude do 50º aniversário da Fender, a Stratocaster de Rory foi adquirida junto à sua família: foi estudada, copiada fielmente e lançada numa versão limitada chamada Rory Gallagher Tribute Stratocaster. Privilégio para poucos e uma justa homenagem a quem devotou sua vida inteiramente ao Blues e ao Rock’n Roll.

Apesar de ter sido criado em Cork, uma pequena cidade na costa leste da Irlanda, Rory estava sempre atento aos blueseiros americanos, que ele considerava os verdadeiros pais da música contemporânea. Em uma entrevista ele declarou: "Mesmo que você não goste do gênero, é preciso ouvir muito blues para se ter consciência de quanto tempo é necessário até se chegar a ser um grande guitarrista. Eles é que entendem do riscado". Em outra ocasião disse: "Quando estou ouvindo música, gosto de ser arrancado da cadeira e ser jogado pelos quatro cantos da sala. Eu gosto de garra, pique, o que pode ocorrer com músicas lentas também. Não existe essa história de autenticidade em música, se ela é bem tocada e o sentimento sincero, a música é boa".
Rory era um cara bastante simples e de temperamento afável, que sempre se relacionou bem com seus músicos, sendo que sua banda sofreu poucas alterações durante sua carreira.Rory Gallagher é,sem sombra de dúvida,um dos melhores guitarristas de todos os tempos.Ouvi-lo tocar me faz ter o seguinte pensamento:Será que quando algum desses novos guitar-heroes,ao ouvir o som desse cara,não se perguntam: ''será que eu sou tão bom assim?''.